Seca severa ameaça a Amazônia em 2024: Impactos e prognósticos



Por Rota Araguaia em 20/09/2024 às 11:55 hs

Seca severa ameaça a Amazônia em 2024: Impactos e prognósticos
Foto: Cimone Barros/Ascom

Redação

A Amazônia, o maior bioma brasileiro e a floresta tropical contínua mais biodiversa do mundo, desempenha um papel crucial na regulação do clima global, na geração de chuvas e no estoque de carbono. No entanto, nas últimas décadas, eventos extremos como queimadas, desmatamentos, secas e cheias têm alterado sua dinâmica, ameaçando não apenas a fauna e flora, mas também as comunidades que dependem diretamente da floresta.

Em 2024, a situação é preocupante: as projeções indicam que a seca será mais severa que a de 2023, quando o Rio Negro, em Manaus, atingiu o nível mais baixo já registrado desde o início das medições, em 1902. No dia 26 de outubro de 2023, o nível do rio chegou a apenas 12,70 metros. Até esta quarta-feira, 4 de setembro de 2024, a cota estava em 19,01 metros, com uma vazão crítica de −25.00 cm. Esses números refletem o agravamento da estiagem.

No Dia da Amazônia, celebrado em 5 de setembro, entrevistamos o meteorologista Renato Senna, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), para discutir os prognósticos e impactos da seca de 2024. Senna, que coordena pesquisas de monitoramento das bacias hidrográficas da região, aponta que os fatores climáticos, como o El Niño e o aquecimento anormal do Atlântico Tropical Norte, têm contribuído para a redução significativa das chuvas na Amazônia.

“A seca de 2024 será ainda mais severa que a de 2023, e os grandes rios da região continuam em regime acelerado de descida. A transição para a estação chuvosa, que normalmente começa em novembro, pode ser tardia ou menos intensa”, afirmou Senna. Ele explicou que a redução das chuvas tem origem na influência dos oceanos, que afetam diretamente a formação de nuvens e o volume das precipitações.

Além disso, as consequências das secas são profundas. “As comunidades ribeirinhas, povos nativos, fauna e flora sofrem gravemente com a falta de chuvas. Durante períodos prolongados de seca, o acúmulo de matéria seca no solo favorece incêndios, muitas vezes de origem criminosa”, explicou o pesquisador. Ele também ressaltou as dificuldades das populações tradicionais em acessar transporte, saúde, educação e até água potável, com algumas localidades sendo abastecidas por carros-pipa.

A fumaça intensa das queimadas, que tem atingido Manaus e outras áreas da Amazônia, também agrava a situação. Pesquisas recentes, envolvendo o Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), mostraram que as partículas formadas pelas queimadas podem inibir a formação de nuvens de chuva, aumentando a instabilidade atmosférica e agravando ainda mais a estiagem.

O futuro da Amazônia, segundo Renato Senna, parece incerto. “Os eventos climáticos extremos, tanto secas quanto cheias, se tornarão mais frequentes. O Atlântico Tropical Norte passa por um ciclo de aquecimento que pode durar décadas, intensificando esses fenômenos nos próximos anos”, alertou.

Nesse cenário desafiador, Senna destaca a importância de estudos contínuos e políticas de preservação. “Precisamos dar mais atenção ao monitoramento climático, pois ele é essencial para prever e mitigar os impactos desses eventos extremos”, concluiu.

Com a gravidade da seca de 2024 já evidente, fica o alerta: a preservação e o entendimento dos fenômenos climáticos que afetam a Amazônia são cruciais para a sobrevivência do bioma e das comunidades que nele habitam.



Deixe seu Comentário


 topo

Seja visto por centenas de pessoas diariamente

Cadastre-se agora mesmo em nosso guia comercial, conheça agora mesmo nossos planos !